A Difícil Arte da Relação Entre Professores e Alunos, Orientadores e Orientandos

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O tema autoajuda estende-se aos mais diferentes campos das relações humanas, ou mesmo na ajuda individual de lidar consigo mesmo, em diferentes situações. E, por isso, não é de estranhar que um dos temas mais procurados e oferecidos por palestrantes e especialistas em autoajuda, seja o relacionamento entre alunos e professor, orientador e orientando. Os relacionamentos se modificaram muito ao longo do último século. Se antes, aquele que era visto como um detentor absoluto do saber e que deveria ser mais do que admirado – seguido e imitado – passou a ser um condutor da busca por múltiplos saberes – antes, aquele que era inacessível por inúmeras razões – hoje deve estar disponível para conduzir àqueles que estão na fase de construção de suas próprias identidades.Aluno-Perguntando-Para-o-Professor

A afirmação de que alunos de ontem são diferentes dos alunos de hoje, nem sempre cabe nas mais diferentes interpretações. Com o desenvolvimento da tecnologia e a acessibilidade da informação, crianças, jovens e adultos visualizaram a oportunidade de encontrar o conhecimento não apenas na instituição escolar – o que em meados do século XVIII passou a ser um núcleo institucional de massa – foi-se deixando engessar, mesmo mediante de diversas tentativas de modernização. As instituições, infelizmente, nem sempre conseguem no tabular os processos de transformações necessários ao estímulo dos alunos de hoje, nem sempre caminham na mesma conjuntura que a deles. E isto acaba tendo um reflexo direto no aprendizado, bem como na relação estabelecida com os professores – os propulsores verdadeiros na busca da construção do saber.

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E no contexto do século XXI, os papéis tanto de professores e alunos parecem ter se perdido na profusão das regras, das premissas e das necessidades mercadológicas, tanto as que são privadas quanto às públicas. Todas num pacote somente. A escola, em muitas situações, deixou de ser o lar do saber, para ser a casa das crianças. Professores são agora educadores, burocratas, os quais necessitam de ser tecnológicos constantes em transformação, sem que muitas vezes tenham preparo para tal. E alunos receptores de sistemas, nomenclaturas e, numa perspectiva bastante positiva, parte de um dado estatístico que comprova o aprendizado básico ao longo dos infindáveis raciocínios efetuados durante 11 anos. Mestres e pupilos precisam se reinventar.Professor-Explicando-Para-o-Aluno

É comprovado que por meio de relações mais afetuosas, admirativas, e, em especial respeitosas, a construção do saber flui como as águas de rio em curso suave. Entretanto, diante de tantas outras necessidades a serem atendidas de imediato, isto fica quase impossível em sala de aula. Não há tempo para construir uma relação mais afetuosa. Por outro lado, somente por meio desta é que a transformação virá.

Os grandes mestres da humanidade não se detinham em pequenas tarefas (hoje gigantes). Eles ouviam, enxergam, refletiam e pensavam. E tudo isto era passado com total altruísmo. Nascia um sentimento entre os seguidos dos mestres, o de ser igual, ou melhor, àquele que os ensinava. E a relação entre professor e aluno deve ser esta. A de admiração, respeito e afeto entre as partes. Mestres inesquecíveis são aqueles que em algum momento tocaram além do saber. E alunos inesquecíveis são aqueles que compreendem para além dos livros.

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 Já a relação estabelecida entre orientador e orientando tem de ser muito clara desde o princípio. Trata-se de um relacionamento que se estabelece para a construção de saberes e que por vezes, não se valida apenas de modo unilateral. Também não se pode esquecer que o relacionamento se dará durante um período muito importante da vida do estudante: o de sua formação acadêmica, que passará pela iniciação científica e pode chegar até o doutoramento.

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Para que o relacionamento de ambos seja duradouro e feliz, algumas premissas são necessárias, em especial por parte do estudante, pois é ele afinal de contas quem irá trabalhar duramente durante longo período, ouvindo críticas, elogios, cobranças. Escolher o orientador, saber como ele se relaciona com os seus orientandos e como costuma ser a metodologia de trabalho dele, irá ser um facilitador da proximidade tanto pessoais quanto das ideais que deverão ser desenvolvidas. E a mesma postura também deverá caber ao orientador, que também passará tempo e conhecimento ao seu aluno.

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O orientador costuma ser o facilitador da busca por caminhos e soluções para a elaboração dos trabalhos. Mas não se trata de uma tarefa fácil. Cada estudante apresenta um perfil diferente do outro e cabe também ao orientador ter a sensibilidade e olhar maduro para ser o condutor não apenas da pesquisa, mas dos desmembramentos que a própria relação toma ao longo do tempo. E nem sempre isto é possível. Há situações em que o orientador deverá ser muito duro e até mesmo distante para que ambos obtenham resultados. E por vezes, um orientando mais jovem não consegue fazer o distanciamento da situação real em relação à ideal.

Mas também é importante que ao longo do trabalho do orientando, sejam estabelecidas pequenas relações de afeto. Chamar para uma conversa menos formal, tomar um café nos pequenos intervalos e conversar sobre outras questões que não sejam parte do desenvolvimento da pesquisa, são atitudes que promovem inclusive o respeito mútuo, uma vez que a aproximação humana distancia a sensação de que o orientador é um ser idealizado por conta de sua experiência e conhecimentos eruditos. E, ao orientando, também cabe reconhecer que sem o trabalho e a confiança depositadas por parte do orientador, não haveria sucesso na pesquisa.

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